Repercussão internacional da libertação de Lula

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A libertação de Lula correu o mundo, por isso, selecionei alguns veículos de peso no planeta para demonstrar a importância do fato, visto que seria impossível apresentar todos.

The Guardian (https://www.theguardian.com/world/2019/nov/08/lula-brazil-released-prison-supreme-court-ruling): o jornal inglês informa que o ex-presidente foi libertado graças a uma decisão do STF que encantou seus partidários e enfureceu os de Bolsonaro. Diz que Lula permanece com o espírito de luta e atacou o “lado podre” da polícia, promotores, administração fiscal e sistema de justiça por prendê-lo. Ainda afirma que o Brasil piorou, na visão de Lula e cita The Intercept e as revelações da Vaza Jato sobre Moro, a quem chama de “polêmico”, e os promotores.

The New York Times (https://www.nytimes.com/2019/11/08/world/americas/lula-brazil-supreme-court.html), por sua vez, lembra que Lula não pode concorrer, a menos que suas condenações sejam anuladas. Diz, ainda, que aparece como grande rival de Bolsonaro por suas políticas de diminuição das desigualdades, avanços na educação e na questão racial. Reforça a ideia de que a condenação de Lula pode ter sido motivada por questão política, algo que ganhou força após Bolsonaro nomear Moro como ministro. O jornal ainda cita Thiago de Aragão, analista da consultoria de risco político da Arko Advice, em Brasília, que disse que a decisão do STF provavelmente fará os investidores pensarem antes de fazer apostas de longo prazo no país, pois será inevitavelmente interpretado como um revés na luta do país contra a corrupção, algo que eu prefiro nem comentar.

A Al Jazeera (https://www.aljazeera.com/news/2019/11/hindus-rejoice-muslim-reaction-mixed-ayodhya-verdict-191109131954176.html) diz que Lula dizendo que está de volta e promete enfrentar Bolsonaro. Fala, também, da força das manifestações a seu favor em seu discurso no sindicato em São Bernardo do Campo. Cita a crítica de Lula à criminalização da esquerda, lembra que Lula foi o primeiro presidente da classe operária no Brasil e demonstra a confiança do ex-presidente que a esquerda derrotará a ultradireita nas próximas eleições presidenciais.

Já a Reuters (https://www.reuters.com/article/us-brazil-corruption-court/lula-leaves-prison-firing-up-brazils-left-and-right-idUSKBN1XI1YC) apresenta a manchete: “O ex-presidente esquerdista brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva saiu da prisão na sexta-feira depois que um juiz ordenou sua libertação”. Afirma, também que a libertação surpreendeu os mercados financeiros e reacendeu as extremidades do espectro político com pedidos de manifestações nos próximos dias. Ainda afirma que a fraca coalizão do Partido dos Trabalhadores no Congresso pode limitar o impacto imediato nas reformas econômicas propostas pelo governo, mas a presença de Lula pode fortalecer a esquerda no Brasil.

A alemã Deutsche Welle (https://www.dw.com/en/brazil-ex-president-lula-vows-left-will-defeat-bolsonaro/a-51186743) tem como manchete: “ex-presidente Lula promete que esquerda derrotará Bolsonaro”. Cita um tweet de Bernie Sanders que diz “Como presidente, Lula fez mais do que ninguém para diminuir a pobreza no Brasil e defender os trabalhadores. Estou encantado por ele ter sido libertado da prisão, algo que nunca deveria ter acontecido em primeiro lugar”. Lembra que Moro, em uma mídia social, chamou Lula de criminoso.

Bloomberg (https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-11-09/freed-from-jail-lula-says-he-s-ready-to-fight-in-latin-america), por sua vez, foca na ideia de que Lula está pronto para lutar pela América Latina. Diz que Lula prometeu viajar pela América Latina, oferecendo apoio aos líderes de esquerda, exatamente quando a região vive um período político conturbado. Também cita o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernandez:”pode ​​fazer isso e ser um exemplo para outros países”.

O francês Le Monde (https://www.lemonde.fr/international/article/2019/11/10/lors-de-son-premier-meeting-d-homme-libre-lula-se-positionne-en-sauveur-du-bresil-face-a-l-extreme-droite_6018655_3210.html) noticia que em seu primeiro encontro como homem livre, Lula toma a posição de “salvador” do Brasil contra o perigo da extrema-direita. Fala, também, do discurso no Sindicato dos Metalúrgicos e da “maré vermelha” que tomou as ruas e chegou até as janelas e telhados dos edifícios. O Le Monde também não esquece a relação de Bolsonaro com as milícias, segundo Lula, e Marielle Franco.

Le Figaro (https://www.lefigaro.fr/international/bresil-la-justice-entrouvre-la-porte-de-la-prison-de-lula-20191108), por seu lado, começa com a manchete : “Aclamado por uma maré vermelha de ativistas de esquerda após sua libertação da prisão, o ex-presidente prometeu “continuar lutando” pelo povo brasileiro.” Em anexo, há um vídeo que diz que no Brasil, “Ninguém acredita que Lula possa ser corrompido”, afirmação de Mélenchon, líder da esquerda francesa.

O italiano Corriere Della Sera (https://www.corriere.it/esteri/19_novembre_08/brasile-l-ex-presidente-lula-va-stato-scarcerato-946d9a58-025e-11ea-9239-aaac9df492cd.shtml) informa que Lula está livre e demonstra o agradecimento de Lula aos seus apoiadores. As críticas de Lula à Lava Jato foram lembradas, assim como a dificuldade da esquerda de enfrentar Bolsonaro e sua esperança com Lula.

Der Spiegel (https://www.spiegel.de/politik/ausland/brasilien-luiz-inacio-lula-da-silva-aus-dem-gefaengnis-entlassen-a-1295689.html) fala da libertação de Lula pelo STF, o carinho dos apoiadores que sempre estiveram presentes enquanto estava preso e na sua saída, sem esquecer a cisão política e do fortalecimento da esquerda.

O argentino Clarin (https://www.clarin.com/mundo/justicia-brasil-ordena-liberar-lula-da-silva_0_n3HGbDLa.html) lembra os oito processos de Lula, a polarização que existirá, após a libertação de Lula, com Bolsonaro e a saída de José Dirceu.

É isso, assim foi essa amostra do que foi falado sobre Lula e sua saída no mundo.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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