Repercussão internacional da denúncia contra Glenn Greenwald

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A repercussão internacional da denúncia de Glenn Greenwald pelo procurador Wellington Oliveira do Ministério Público Federal (MPF) já é grande. Periódicos de todo mundo já comentam o assunto, como será mostrado a seguir.

O jornal italiano La Repubblica estampa que Greenwald está sendo incriminado no tocante à crime de informática. Também faz questão de sublinhar que Bolsonaro ataca a liberdade de imprensa e que há protestos no “mundo da mídia”. Ainda afirma que jornalistas, “associações de direitos humanos como a Human Rights Watch e defesa dos direitos civis, como a União Americana das Liberdades Civis, já estão se mobilizando em seu caso, que denuncia a forte interferência de Bolsonaro na liberdade de imprensa” (1).

A revista alemã Der Spiegel estampa que Greenwald é acusado de cibercrime, apontando que o jornalista há muito se sente desconfortável com a administração do país. Cita, ainda, um tweet do jornalista em que diz que foi “uma tentativa óbvia de atacar a imprensa livre em retaliação pelas revelações que fizemos sobre o ministro Moro e o governo Bolsonaro”, ressaltando, também, o o papel dos evangélicos e da homofobia na política do país (2).

O Le Monde também traz em sua manchete a acusação de cibercrime, dizendo que o jornalista é acusado de “ajudar, encorajar e orientar” um grupo de “piratas da informática”. Também traz, como a Der Spiegel, um tweet de Glenn em que está claro que ele não se deixará intimidar pelos abusos do aparato estatal ou do governo Bolsonaro (3)

O inglês The Guardian, mais uma vez, apresenta a acusação do MPF. O periódico britânico afirma que os vazamentos, publicados pelo The Intercept Brasil, parecem demonstrar um conluio entre Sérgio Moro e os promotores que, por sua vez, extrapolaram o viés político durante as investigações ( da Lava Jato). Traz também a afirmação de Rogério Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog, que diz que “não são apenas a segurança de Glenn e sua família que estão ameaçados por isso, mas todos os jornalistas e a liberdade de expressão no Brasil”. Manuela d’Ávila e Rodrigo Maia também são citados. No caso de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, o jornal traz um tweet que diz: “jornalismo não é crime. Sem jornalismo livre, não há democracia ”. As críticas da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo também foram apresentadas pelo jornal: “é ridículo que o Ministério Público abuse de suas funções de perseguir um jornalista e, portanto, viole o direito dos brasileiros de viver em um país com uma imprensa livre para expor irregularidades de autoridades públicas”. (4)

A manchete do The New York Times é : Glenn Greenwald é acusado de cibercrime no Brasil. Lembra que Greenwald publicou vazamentos, através do The Intercept Brasil, sobre a integridade de membros da justiça brasileira e da imparcialidade de Sérgio Moro como juiz, além de ser um grande crítico do governo Bolsonaro. Diz ainda que as acusações contra Greenwald preocupam jornalistas e defensores de uma imprensa livre, já que é comum jornalistas utilizarem esse tipo de informação vazada. O jornal traz ainda declarações de um especialista em direito da Fundação Getúlio Vargas, Thiago Bottino, que afirma que os promotores não tem nenhuma prova contra o jornalista estadunidense. Além de Bottino, Gleisi Hoffman e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas são citados. No caso do Comitê, o comentário é o seguinte: “acusar jornalistas de atividades criminosas baseadas em interações com fontes envia uma mensagem assustadora a repórteres que trabalham em matérias sensíveis, em um momento em que a mídia brasileira está cada vez mais sendo atacada por funcionários de seu próprio governo” (5).

Alexandre L Silva

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