Rápido Comentário a um Tweet de Glenn Greenwald

O tweet diz: “Isso: eu poderia deixar o Brasil a qualquer momento e fazer esse jornalismo e publicar esses documentos dos EUA ou da Europa. Mas eu não vou. Vou ficar. Por que? Porque conheço táticas desesperadas de intimidação, como as que Moro está usando, e sei que eles não têm nada.”

Meu comentário é:

Realmente, Glenn, são táticas desesperadas e antidemocráticas, próprias de uma ditadura que tem vergonha de se assumir como tal. A defesa de Moro tem alguns pilares, estes são: a mentira (afirma que não se lembra, diz que os diálogos foram adulterados, diz que apagou o Telegram, diz que os diálogos nada provam), a intimidação do mensageiro (Intercept) e o costume (todo juiz faz isso, é comum um juiz orientar as partes). O mensageiro não é um qualquer e, tudo indica, não vai ser intimidado. O costume não serve para nada, pois, se fosse assim, o impeachment de Dilma não ocorreria, pois todo presidente fez as chamadas pedaladas fiscais e, mais escandaloso ainda, a corrupção, segundo a própria Lava Jato, era prática comum entre os políticos, o que, segundo a argumentação de Moro, levaria à absolvição de todos. Logo, a única coisa que se mantém, na argumentação de Moro, são as mentiras, mas não por falta de provas. Sua manutenção é fruto de um regime autoritário, e regimes autoritários consideram suas afirmações como lei. Isso, porém, implica a aceitação de uma ditadura brasileira, coisa que já deveria ser considerada desde janeiro, pelo menos.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.