Protestos na América Latina contra o ultraliberalismo: a Colômbia e o medo de Bolsonaro

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As manifestações não param na América Latina e, caso confirmem a tendência de espraiamento, rapidamente chegarão a outros países do continente.

No Equador os protestos contra as políticas ultraliberais de Lénin Moreno levaram o governo a recuar e cancelar o seu pacote de austeridade. Dentro desse pacote, apoiado pelo FMI, estava o fim dos subsídios aos combustíveis, o que levaria a um aumento de 123% nos combustíveis e, portanto, uma grande elevação geral dos preços, o que aumentaria a desigualdade. Vitória para a população indígena e as demais camadas carentes da população.

A ONU já denuncia as “ações repressivas” por parte das forças de segurança na Bolívia. Já são 32 mortos durante os protestos, mais de 715 feridos e mais de 50 detidos. Se as primeiras mortes ocorreram através do confronto entre partidários de Evo Morales e da oposição a ele, as mais recentes são fruto apenas da repressão da direita conservadora e fundamentalista que tomou o poder com o golpe contra aqueles que defendem a esquerda e Evo. O conflito não cessa e não há meios de prever os horrores que ainda podem acontecer.

No Chile, os protestos contra as medidas neoliberais de Sebastián Piñera e uma constituição retrógrada, herdada da ditadura Pinochet, não param. Também não para a repressão. Uma das marcas da repressão nesses protestos é o ferimento nos olhos. Mais de duzentas pessoas já foram feridas nos olhos por disparos de armas de fogo ou por balas de borracha. Já são 23 mortos pela luta contra o governo de direita de Piñera.

Agora, os protestos estão começando na Colômbia. Basicamente, a população colombiana protesta contra os seguintes problemas no governo Iván Duque: uma proposta de reforma trabalhista cogitada , a futura eliminação do fundo de pensão estatal Colpensiones, os planos de reforma tributária, as privatizações, o salário mínimo de 240 dólares, a corrupção, o grande aumento na energia elétrica e gás natural , a quebra de acordos entre o governo, sindicatos e setores sociais, incluindo as universidades e a desigualdade social.

Os protestos contra Iván Duque se intensificaram a partir da greve geral de 21/11/2019. O saldo após essa greve é de 3 mortos, 273 feridos e 98 detidos. Centrais de trabalhadores se somaram a estudantes e desempregados para atender a convocação do Comando Nacional Unitário para a promoção da greve e protestar contra a flexibilização das relações entre patrões e empregados, além do fim do fundo de pensão citado e várias outras reivindicações. Iván Duque, agora, nega que tenha tais propostas, com o objetivo de tentar se manter no governo.

Basicamente, portanto, as reivindicações têm em si uma forte unidade, apesar dos jornais brasileiros apresentá-las como dispersas e desconexas. Essa unidade é a luta contra o ultraliberalismo proposto por Iván Duque, um advogado de 43 anos pertencente ao partido Centro Democrático, um partido de direita que pretende se esconder dizendo que é de centro. Tanto é assim que o líder do partido, o senador e ex-presidente Álvaro Uribe, já declarou que as manifestações são uma “estratégia do Foro de São Paulo”. A característica que os distingue de muitos outros protestos na América do Sul é seu caráter urbano, sem muita participação das comunidades indígenas até aqui. Entretanto, como todos os demais, o governo Duque continua buscando reprimir os manifestantes e fechando fronteiras, numa tentativa de proteger seus interesses.

Os protestos e manifestações estão se espalhando pelo continente, o que demonstra uma grande desaprovação do atual modelo capitalista e liberal adotado pelos governos de direita e extrema-direita da região. Bolsonaro, no Brasil, já se prepara e apresenta um projeto de excludente de ilicitude para as forças de repressão que participarem de ações de GLO (Grantia da Lei e da Ordem). Isso seria uma licença para matar durante manifestações semlhantes as que estão acontecendo em outros países da região e, portanto, um massacre do presidente contra seu próprio povo, algo só imaginável por quem tem uma concepção de mundo fascista e autoritária.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.