Previsão para a eleição presidencial dos Estados Unidos com base nas pesquisas e nos fatos mais importantes

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Este artigo é uma análise das pesquisas eleitorais mais recentes sobre a disputa eleitoral entre Donald Trump e Joe Biden e sobre os fatos mais importantes que influenciam a decisão dos eleitores, visando estabelecer uma previsão, com bases racionais, para o resultado da eleição. Todavia, não há como começar falando dessas questões sem uma crítica à estrutura do processo eleitoral estadunidense, tão complexo e injusto que é capaz de destruir qualquer previsão sobre o final das eleições.

O Sistema Eleitoral dos EUA

Para começar, uma pesquisa eleitoral que leve em conta apenas os votos dos “pequenos eleitores” (cada cidadão votante) nada diz. Há um Colégio Eleitoral formado por delegados (“grandes eleitores”), não havendo, portanto, uma eleição direta (a ideia de uma pessoa, um voto, logo, não existe). Cada estado tem um determinado número de delegados. Este número é igual à soma dos deputados e senadores de cada estado. A exceção é Washington D.C. com três delegados, pois, legalmente, deve ter o mesmo número de delegados do estado que tiver o menor número (1). Territórios (Porto Rico, Guam, Samoa Americana, Ilhas Virgens Americanas, Marianas Setentrionais, Ilhas Menores Distantes dos Estados Unidos e Baia de Guantánamo, arrendada de forma perpétua pelos EUA) não têm direito a nenhum delegado.

A forma de escolha dos candidatos, na maioria dos estados, é conhecida como “the winner takes it all” (o vencedor leva tudo), isto é, o candidato que vence no estado fica com todos os votos daquele estado. As únicas exceções são o Maine (4 votos) e Nebraska (5 votos), estados pequenos que dividem seus votos segundo distritos. Mas não pensem que o voto distrital estadunidense afeta somente estes 9 votos, uma vez que influencia indiretamente muitos eleitores. Além disso, há o risco dos chamados eleitores, ou delegados infiéis, que são aqueles que se comprometem a votar em um candidato e, na hora da escolha, votam em outro. Isso é possível, e as leis que punem tais delegados variam em cada estado, tornando impossível saber, antecipadamente, se os votos infiéis, caso aconteçam, serão validados ou não. Como há 538 delegados, sai vitorioso o candidato que obtiver a maioria absoluta (ou simples, nesse caso), 270 votos, ao menos.

Além de Biden e Trump, ainda há outros nove candidatos à Presidência, nem todos aparecendo nas cédulas de todos os estados. Entretanto, nem sempre foi assim. Na primeira eleição, seis estados, dos treze originais, adotaram algum tipo de voto popular, enquanto os demais adotaram uma versão mais aristocrática, ainda, de votação. Havendo uma variação grande por estado durante a história das eleições, já houve escolha através da Assembleia Legislativa de determinados estados e voto popular ao mesmo tempo. E pensar que o sistema de Colégio Eleitoral foi criado com o dito objetivo de evitar que o voto direto elegesse algum aproveitador e que não tivesse condição de governar o país; ledo engano.

As Pesquisas e os Fatos

Segundo a BBC (2), Biden está à frente por 52% a 44%. A CNN apresenta o mesmo resultado em sua página (3). Assim como a BBC, a CNN apresenta uma média de diversas outras pesquisas (4). Entretanto, não é o voto popular que conta, mas a vantagem no Colégio Eleitoral. Isso remete, necessariamente, a uma análise por estado.

Por estado, Biden vence em 28, contando o District of Columbia, e Trump 23 (5). Os 28 estados em que Biden ganha fornecem um total de 350 votos, mais do que suficiente para vencer as eleições, pois bastaria chegar a 270, uma vitória confortável se as pesquisas estiverem certas. Novamente a exceção das pesquisas é a da Trafalgar Group que, por sinal, é conhecida por prever a vitória de Trump em 2016. Na pesquisa da Trafalgar, Trump está vencendo por pouco nos chamados swing states, os estados decisivos(6). Entretanto, dificilmente todos os outros institutos não aprenderam nada com 2016 e, por isso, devem estar com métodos mais apurados, corrigindo os problemas que tiveram na eleição anterior.

Em relação aos fatos, aqueles mais impactantes são favoráveis a Biden, como o insucesso de Trump no combate à pandemia, a violência racista e o crescimento do movimento “Black Lives Matter”, o fortalecimento do movimento antifascista e o declínio da economia. No caso de Trump, há somente a reação a tudo isso. É bom lembrar que Trump já mobilizou todos os seus trumpminions na disputa contra Hillary Clinton, na eleição passada, logo, não deve ter um crescimento maior do que isso. Biden, por sua vez, deverá ser favorecido pelo crescimento do número de votos.

Fazendo um resumo de tudo o que foi dito, Biden deverá vencer, até com uma certa folga, a eleição de 2020. Mas, agora, é esperar para ver.

Alexandre L da Silva

(1) Para conferir o mapa com o número de delegados de cada estado, veja: https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Electoral_College

(2) https://www.bbc.com/news/election-us-2020-53657174

(3) https://edition.cnn.com/election/2020/presidential-polls

(4) Para conhecer essas outras pesquisas, basta visitar as páginas acima, da BBC e da CNN.

(5) Os resultados, apresentados por estado, são de 2 sites diferentes (os nomes estão em Inglês):

Pela CNN (https://edition.cnn.com/election/2020/presidential-polls):

Biden:Arizona (49x46), California (58x32), Connecticut(56x33), Flórida (49X46), Georgia (49x46), Maine (55x38, 59x38, 52x37), Maryland (61x30 e 60x35), Massachusetts (58x30), Michigan (51x42), Minnesotta (57x41, 50x41,51x38), Nevada (de 46x42 a 52x41), New Hampshire (de 45x42 a 55x43), New Jersey (de 61x37 a 52x34), New York (de 55x36 a 65x29), North Carolina (50x46), Pennsylvania (50x44), Virginia (de 45x38 a 53x39), Wisconsin (52x42).

Trump: Alasca (45x39), Iowa (47x45), Kentucky (58x38), Montana (49x43, 51x44, 49x42), South Carolina (de 47x42 a 42x42), Tennessee (51x42), Texas (48x46).

Pelo FiveThirtyEight (https://projects.fivethirtyeight.com/polls/president-general/):

Biden: Colorado (53,4x41,2), Delaware (58,8x34,6), District of Columbia (90,8x5,8), Hawwaii (64,3x29,9), Illinois (55x38,7), New Mexico (53,9 x 42,1), Oregon (57,7 x 37,9), Rhode Island (62,9 x 32,3), Vermont (66,5 x 27,7), Washington (58,4 x 35,2),

Trump: Alabama (57,7 x 37,9), Arkansas (58,9 x 36,2), Idaho (56,6x38,4), Indiana (52x42,1), Kansas (53,9 x 40,9), Louisiana (58,2 x 36,2), Mississippi (55,5 a 39), Missouri (51x43,7), Nebraska (52,1 x 42,5), North Dakota (56x38,7), Ohio (47,4 x 46,7), Oklahoma (59,2 x 36,2), South Dakota (54 x 38,8), Utah (51,9 x 42,1), West Virginia (62,1 x 33,5), Wyoming (62,3 x 30,8)

(6) https://www.aa.com.tr/en/americas/trump-leading-swing-states-in-us-election-poll/2028249

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.