O Governo Bolsonaro, seu secretário de Cultura e o Nazismo

Hoje, 17 de janeiro de 2020, tomei conhecimento, assim como todo Brasil ou, para ser mais preciso, todo o mundo, do vídeo publicado um dia antes do agora ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim. Apesar de estar longe do meu computador e só ter meu antigo celular para escrever, resolvi, mesmo assim, publicar esse texto em função da importância do caso.
Pelo que tenho conhecimento, Roberto Alvim é um sujeito muito mais culto que o restante do atual governo, o que não quer dizer muita coisa. Entretanto, isso já seria suficiente para demonstrar que tudo em seu vídeo foi pensado e cuidadosamente elaborado, não sendo, portanto, um acaso sua paráfrase de Joseph Goebbels; o homem da propaganda nazista foi escolhido a dedo. Também não foi por acaso a escolha de seu vestimento, seu penteado, a escolha de um trecho da ópera Lohengrin de Wagner e de todo o clima do vídeo, assim como seu discurso voltado para o nacionalismo, para a luta contra a arte degenerada, para o totalitarismo. Realmente, o que foi produzido foi uma peça de estética nazista, o que é, infelizmente, nada mais do que um reflexo de toda atuação desse governo.
Para provar o que afirmei, basta lembrar que no mesmo dia publicação do vídeo, Bolsonaro, em uma live, elogia seu secretário da Cultura, afirmando que, após décadas, temos um verdadeiro secretário da cultura ( algo estúpido, já que nos governos petistas haviam ministros, não secretários). Dessa forma, Alvim representa a essência do próprio governo, não uma nota dissonante, uma vez que seu vídeo não destoa dos discursos proferidos por seu presidente. A luta contra o conto de fadas do marxismo cultural, portanto, continua por parte desse governo, sendo que essa luta nada mais é que a guerra contra a liberdade de expressão.
Outro ponto de destaque em toda essa confusão é que Bolsonaro, aquele que sempre se orgulhou do seu avô, soldado nazista que perdeu um braço na Segunda Guerra, apoiou Alvim depois de tomar conhecimento do que ele fez e só o expnerou, pelo que tudo indica, depois da pressão exercida pelos judeus e por Israel, através de seu embaixador, Yossi Shelley. Isso é mais uma prova da estrutura nazista ou fascista desse governo. Ter medo de Israel não é o suficiente para fazer alguém deixar de ser nazista.
Algo que todos devemos aprender com esse episódio é o fato da estratégia de Bolsonaro, assim como a de Trump nos EUA, é sempre previsível: esticsr a corda ao máximo para saber até onde pode ir. Caso a corda arrebente, algum subalterno pagará o pato (da FIESP?), mas não ficará desamparado, já que foi útil para o governo. Daí, Bolsonaro aprendeu que não pode ser abertamente nazista, pois a comunidade judaica é poderosa, mas quanto todo resto da agenda nazista?

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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