O Golpe na Bolívia e os jornais locais

<a href=”https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/homem">Homem foto criado por kjpargeter — br.freepik.com</a>

Antes de comentarmos o golpe sofrido por Evo Morales, gostaria de citar um erro crasso cometido por ele. Diferente de Lula que, de forma extremamente democrática, não lutou para mudar a Constituição e concorrer a um terceiro mandato, Morales iria para o seu quarto mandato. um padrão que não é nada desejável para uma democracia, usando o parlamento boliviano, dentro da legalidade, para continuar a concorrer. A democracia tem regras escritas e não escritas e ambas devem ser respeitadas. Os embates, no campo da política democrática, devem ser de ideias não de indivíduos, já que o personalismo é um mal que deve ser evitado.

Apesar desse erro, o governo de Evo Morales foi extremamente positivo para economia e para seu povo. A renda per capta boliviana só cresceu em seu governo. Houve também um crescimento do PIB, uma diminuição da dívida externa, um aumento da expectativa de vida do povo boliviano, a diminuição da pobreza extrema e da desigualdade.

Neste domingo (10/11/2019), o presidente Evo Morales renunciou ao cargo, assim como o vice-presidente (Álvaro García Linera), após o que muitos jornais bolivianos chamam de golpe da oposição. Segundo o Epoca (http://www.la-epoca.com.bo/2019/11/10/renuncia-el-presidente-boliviano-evo-morales/), a oposição “encorajou uma onda de protestos violentos e vandalismo perpetrados por grupos de confrontos, que nas últimas horas assumiram Autoridades estaduais e relacionadas ao Movimento ao Socialismo (MAS), que foram perseguidas, agredidas e despojadas de suas casas, comprometendo sua integridade e a vida de suas famílias.”

Evo Morales já tinha concordado em que a OEA fizesse uma recontagem dos votos e, posteriormente, até, com novas eleições. Entretanto, não houve tempo para isso, e a OEA se constituiu na porta de entrada para um golpe por parte de seus opositores.

Diferente do golpe contra Dilma Rousseff, em que não houve uma participação direta dos militares, a renúncia de Evo foi exigida pelos militares daquele país: “Antes do meio dia de ontem, os uniformizados da polícia boliviana que se retiraram para a Unidade Tática de Operações Policiais (Utop) fizeram uma declaração em que aderiram às resoluções da prefeitura em Santa Cruz, que determinou exigir a renúncia de Evo Morales e apoiar as demandas da Polícia que exigem melhorias trabalhistas” (https://www.eldiario.net/noticias/2019/2019_11/nt191110/sociedad.php?n=41&-policia-consolida-y-se-aferra-a-motin). Um dia antes, “o comandante em chefe das Forças Armadas (FFAA), Williams Kaliman, e o Alto Comando Militar disseram … que os militares não vão confrontar o povo e pediram as autoridades políticas que resolvam os conflitos o mais rápido possível antes de alcançar “momentos irreversíveis”” (http://www.laprensa.com.bo/nacional/20191110/fuerzas-armadas-no-reprimiran-evo-convoca-bases-movilizarse). Estando acuado, não houve outra alternativa para Morales, a não ser a renúncia. O golpe estava encerrado, e com auxílio da OEA.

Luis Fernando Camacho, líder do Comitê Cívico Pro Santa Cruz (leste), ajoelhou-se diante de um símbolo boliviano e depositou a carta de renúncia que quer que seja assinada por Evo Morales e uma bíblia, isso dentro do palácio de governo. Sua atitude foi acompanhada por uma multidão do lado de fora. Resta saber o que será da Bolívia, dos indígenas e do restante da América Latina que não via a participação das forças armadas há um bom tempo.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store