Mandetta, Bolsonaro e a ameaça que paira sobre nós

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Basta! Não há mais como o Brasil continuar com um governo esquizofrênico paranoide, perdido no meio de tantos pedaços que não conversam entre si e com uma eterna mania de perseguição. Esse é o quadro clínico verdadeiro do governo desse país. O presidente faz pronunciamentos contra o isolamento social e defendendo um medicamento que acredita ser milagroso, pura enganação e delírio. O Ministério da Saúde, do mesmo governo, diz exatamente o oposto: defende o isolamento social e não aponta nenhum remédio como solução para a pandemia. Os militares defendem o isolamento, mas retiram um texto, produzido por eles mesmos, defendendo o mesmo isolamento. Os ministros de Bolsonaro se isolam e, muitos, defendem a posição de seu presidente. Não se sabe quem governa de fato e até onde vai o poder de Bolsonaro. A população está perdida no meio de tanta desinformação e mentira.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deveria estar sendo avaliado seriamente por especialistas, imprensa e pela própria população. Entretanto, Bolsonaro age e fala de maneira tão tresloucada que qualquer grau de sensatez que um ministro tenha já é suficiente para ser louvado pela grande maioria da população, da mídia e de especialistas, uma vez que ninguém quer arriscar trocá-lo numa hora dessas, nem mesmo eu, uma vez que reconheço sua importância, no momento, apesar das críticas que faço. Mandetta não é especialista no tema, uma vez que é ortopedista e não infectologista. Sua falta de conhecimento mais profundo foi demonstrada quando, ao falar do SARS-CoV-2 (o novo coronavírus) disse que o DNA do vírus já havia sido mapeado. Alguém o corrigiu, dizendo que o certo seria RNA, provocando a seguinte fala do ministro: “vírus tem RNA e não DNA”. Não, há vírus com DNA apenas, RNA apenas e ambos. No caso do novo coronavírus, há apenas RNA.

Outra gafe do ministro Mandetta foi dizer que leu, durante essa fase de isolamento, o livro “O mito da caverna”. Apesar dessa falha não dizer respeito ao tema em questão, não fica bem para um ministro dizer que leu um livro que não existe, uma vez que a alegoria da caverna é apenas uma parte, a parte inicial, do livro VII da República de Platão. Nessa hora, Mandetta lembrou um outro ministro, muito mais insignificante em sua atuação dentro do governo, Sérgio Moro. Moro, ao ser questionado por Pedro Bial sobre o que gostava de ler, respondeu: biografias. Bial, então, perguntou qual a última biografia lida e ele não soube responder; sinal que não leu nenhuma.

Posso dizer, sem medo, que todas essas falhas de Mandetta são escusáveis. Entretanto, o que mais lhe atrapalha é sua tentativa, em muitos momentos, de tentar coadunar o discurso de Bolsonaro com o seu, uma vez que não há como fazê-lo, o que gera mais um exemplo da esquizofrenia presente nesse governo. Em outras palavras, o que mais atrapalha o ministro é seu presidente, uma vez que o cargo de ministro da Saúde é, antes de tudo, um cargo político. Ele não precisa ser o melhor especialista no tema para exercê-lo, mas saber ouvir os melhores especialistas e ter sensibilidade política. Mandetta, infelizmente, não pode ser julgado por essas qualidades, uma vez que tem um louco lhe dando ordens. Não há como afirmar que o ministro da Saúde está sendo um ótimo ministro, uma vez que é castrado por uma autoridade superior. Todavia, na situação que estamos e com um chefe do Executivo com tendências genocidas, Mandetta é a melhor opção, uma vez que praticamente todos sabem, com exceção dos fanáticos que ainda defendem Bolsonaro, que um substituto seria infinitamente pior em todos os sentidos.

Mandetta não é a melhor pessoa para o cargo, mas, dentro das possibilidades limitadas por uma figura nefasta como Bolsonaro, é a melhor das opções. Tudo isso demonstra que foi o pior momento da história para eleger uma figura tão nociva quanto Bolsonaro.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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