Lula livre, o porteiro de Bolsonaro e o jornalismo miliciano

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Um dia após a decisão do STF sobre a prisão em segunda instância, Lula foi solto. Nada mais natural, uma vez que a prisão enquanto pena definitiva sem o trânsito em julgado é uma agressão à Constituição e o Supremo, como principal guardião da Constituição não deveria apresentar uma leitura diferente, posto que basta saber ler e conhecer o significado da expressão “trânsito em julgado” para confirmar que a prisão em segunda instância é uma afronta à Constituição. Mais que isso, a prisão de Lula por um juiz, na época, que é seu inimigo político e que não teve como base nenhuma prova, apenas delações, ou colaborações, de quem está sob ameaça e artigos de jornais sem isenção é uma verdadeira cusparada na justiça e nas leis.

Um aviso, não adianta tentar argumentar a sobre a inocência de Lula com quem é bolsonarista. Essa figura vai xingar, gritar, espernear e não escutar nenhum dos seus argumentos. Essas pessoas, como escutei uma vez em uma TV portuguesa, não escutam os outros e tem uma crença inabalável em Bolsonaro e na extrema-direita. Não conseguem raciocinar, muito menos abstrair.

Bem, Lula está livre e é hoje o maior líder da esquerda brasileira, portanto, uma ameaça ao futuro político de Bolsonaro e os seus.

Nesse mesmo dia (08/11/2019), a revista Veja publicou um artigo (https://veja.abril.com.br/politica/achamos-o-paradeiro-do-porteiro-do-condominio-de-bolsonaro/) em que revela o nome e o local onde mora o porteiro que, com dois depoimentos, afirmou que o carro de Élcio Queiroz teve permissão para entrar no condomínio onde moram Bolsonaro e Ronnie Lessa, esse último considerado o assassino de Marielle e Anderson e que agiu juntamente com Élcio, dada pela casa 56 de Bolsonaro, através de uma voz que ele identificou como “Seu Jair”.

Em um outro artigo (https://veja.abril.com.br/politica/achamos-o-paradeiro-do-porteiro-do-condominio-de-bolsonaro/) apresentei algumas hipóteses sobre o caso, tentando demonstrar que não podemos chamar, pelo menos por enquanto. A veja faz o contrário disso e, sem provas cabais, diz que o porteiro mentiu. Entretanto, isso não é o mais preocupante. Vejam, o porteiro em questão é uma pessoa simples, sem posses e incapaz de defender a si e a sua família de ataques vindos de poderosos ou populares ligados a Bolsonaro. A revista, não se importando com a integridade de um ser humano, expõe toda sua vida, coagindo uma testemunha importante e o colocando sem nenhuma proteção. Portanto, qualquer coisa que ocorra com esse porteiro é de responsabilidade da revista Veja.

Portanto, não fosse o bastante a armadilha feita pelo programa Pânico da rádio Jovem Pan para Glenn Greenwald, algo realmente desprezível, agora vem a Veja e consegue superar o mau-caratismo da Jovem Pan. Estamos diante de um novo tipo de imprensa e jornalismo que extrapola todos os limites em nome de seus próprios interesses políticos e pessoais: o jornalismo miliciano.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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