Conheça os perigos do novo coronavírus e o que você deve fazer

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Quando a crise do novo coronavírus começou a ganhar uma grande atenção pela imprensa brasileira, a taxa de letalidade apontada por essa imprensa era de 3,4% e, após isso, continuaram divulgando esse índice que, por sinal, já era bem mais alta do que tínhamos no final de fevereiro, que era de 2,3% (1). Entretanto, venho acompanhando os números de casos e mortes e continuo constatando um aumento gradual na letalidade desse coronavírus (2). O último cálculo que fiz indicava um índice de 4,1%, apontando um crescimento no índice de morte da COVID-19. Portanto, não facilitem, procurem informações idôneas. A mídia tradicional, apesar da crítica inicial feita nesse artigo, vem divulgando informações corretas sobre como se prevenir: lavar corretamente as mãos, higienizar o que é tocado, manter-se asseado, manter distância entre indivíduos, usar álcool gel, não descuidar da imunidade, ficar em casa. Sem dúvidas são as medidas mais eficazes.

Para que se possa começar a compreender a COVID-19, algumas informações adicionais são necessárias. COVID-19 (sigla em Inglês para Coronavirus Disease 2019 ou doença do coronavirus de 2019, em Português) é o nome da doença, escolhido pela OMS (Organização Mundial de Saúde), provocada pelo vírus SARS-CoV-2 que pertence ao gênero de vírus coronavírus, com genoma RNA (3). O número 2, no nome do vírus (SARS-CoV-2) indica que houve outro vírus que o antecedeu e com características semelhantes: trata-se do SARS-CoV-1, o vírus da SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome — Síndrome Respiratória Aguda Grave), doença que causou um surto mundial entre 2002 e 2003 e que, no caso do vírus, tem uma estrutura genética extremamente semelhante ao atual coronavírus (SARS-CoV-2) (4).

O SARS-CoV-2, o atual coronavírus, é um vírus zoonótico, isto é, um vírus que inicialmente infecta animais, mas consegue romper a fronteira da espécie e infectar seres humanos através de mutação. Essa mutação tem origem em mudanças genéticas do vírus, durante sua replicação ou reparação, e que se tornam permanentes (5). Em geral, materiais genéticos de dois ou mais vírus se combinam e causam a mutação. Infelizmente, os cientistas não sabem ao certo qual animal deu origem a esse novo vírus, o que acaba por dificultar determinadas pesquisas de combate à doença.

Comparando a COVID-19 com a gripe comum, temos uma taxa de letalidade alta. A gripe comum tem um índice de mortes, dependendo da pesquisa, entre 0,01% e 0,05% (6). Como vimos, hoje a taxa da COVID-19 é de 4,1%. O vírus da SARS tem uma taxa de letalidade superior, de 9,95 (7), enquanto o da H1N1 (Gripe Suína) que assustou o mundo em 2009 é de 0,02% (8). Já o agente causador da Gripe Espanhola, que aterrorizou o mundo em 1918, teve um índice de letalidade entre 1% e 2,225%, conforme pesquisadores (9). Evidentemente, o número de mortes da Gripe Espanhola foi muitíssimo maior, já que contaminou muito mais gente no mundo, se comparada com a COVID-19 até agora.

Os gráficos que representam a curva de contágio do novo coronavírus nos países demonstram que o Brasil está com uma curva bem semelhante àquela dos países europeus (10). Entretanto, deve ser lembrado que o sistema de saúde brasileiro é bem mais frágil e que a infraestrutura do Brasil é muito inferior aos europeus. Tudo isso pode piorar os números de infectados e mortos. Para evitar que isso provoque um caos, devemos seguir todas as indicações dadas pela OMS e especialistas. Para piorar o cenário, o Brasil está sem governo e sem orientação, o que faz que dependamos, mais do que nunca, de nós mesmos.

As pesquisas continuam avançando. Vários remédios, como o Lopinavir-Ritonavir (11), hidroxicloroquina e cloroquina, estão sendo testados, ainda sem resultados claros. Empresas e entidades como a CEPI (Coalition for Epidemic Preparedness Innovations) investem e buscam financiamento para a criação de uma vacina para a COVID-19 (12). Apesar disso, as melhores previsões para a vacina indicam que sua criação levará pelo menos um ano (13).

No tocante à sobrevivência do vírus em superfícies, uma pesquisa aponta que o vírus resiste até 72 horas em aço inoxidável e plástico (o título do vírus cai muito com o tempo, principalmente no caso do aço inoxidável), 24 horas em papelão e 4 horas no cobre (14). Entretanto, nunca é demais comentar que a principal forma de disseminação da doença é, de longe, a transmissão de pessoa para pessoa, por isso é tão importante o isolamento.

A revista Nature, uma das mais famosas publicações científicas, alerta para infecções que não são percebidas podem representar 60% de todas as infecções (15). Obviamente, essas infecções são casos leves, já que cada pessoa reage de maneira diferente ao vírus, e não são notificadas. Entretanto, essas pessoas continuam transmitindo o vírus, apesar dessa transmissão não ser tão intensa quanto os casos mais graves. Há, porém, um perigo a mais nesses casos: essas pessoas, como não percebem a doença, têm um contato maior com outras pessoas.

Devemos, todos, cuidar de nós mesmos e dos outros, evitando o contato, ficando em nossas casas e aumentando nossa preocupação com a higiene e a imunidade. A COVID-19 não pode ser encarada, de forma nenhuma, como uma mera “gripezinha”, pois sua realidade é bem mais nefasta. Para quem ainda duvida, basta reparar o desespero e as ações de todos os governos do mundo, de esquerda ou de direita, democracias ou ditaduras, não importa, o mundo, hoje, está fechado e não é para balanço.

Alexandre Lessa da Silva

NOTAS:

(1) https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51627407

(2) (Acessado em 20/03/2020 às 12 horas) https://www.worldometers.info/coronavirus/

(3) https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/02/12/por-que-o-coronavirus-agora-se-chama-covid-19-e-como-esses-nomes-sao-criados/ Também: http://www.ufrgs.br/labvir/material/aulat7.pdf

(4) Entre os mais conhecidos vírus desse gênero, há também o Mers-CoV, responsável pela Síndrome Respiratória do Oriente Médio que teve o primeiro caso em 2012 com 238 casos registrado e 92 mortes até abril de 2014. Vide: http://www.cidrap.umn.edu/news-perspective/2014/04/mers-cases-reach-far-east-saudi-arabia-reports-6-more

(5) http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/mirante/dezembro_2010/pdf/mutacoes_do_virus_influenza_a_(h1n1).pdf

(6) https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51627407

(7) https://www.nhs.uk/conditions/sars/

(8) Nessa página, a taxa de letalidade do novo coronavírus é antiga, mas a da H1N1 é recente. https://factcheck.afp.com/chart-old-it-has-been-updated-accurately-show-much-lower-h1n1-fatality-rate

(9) https://books.google.com/?id=k79_8QX8n44C&printsec=frontcover&dq=The+Spanish+Influenza+Pandemic+of+1918-1919:+New+Perspectives#v=onepage&q=local%20statistical%20data&f=false

(10) https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/curva-de-contagio-do-coronavirus-no-brasil-repete-a-de-paises-europeus-alertam-especialistas-da-italia,ae1da0daca2ce026659cffb3f1c021edvv7pobxg.html

(11) https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2001282?query=featured_home

(12) https://cepi.net/news_cepi/cepi-collaborates-with-the-institut-pasteur-in-a-consortium-to-develop-covid-19-vaccine/

(13) Uma boa notícia, vinda do site acima, é que a vacina para Chikungunya já está em fase avançada.

(14) https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2004973?query=featured_home

(15) https://www.nature.com/articles/d41586-020-00822-x

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