Bolsonaro e seu filho Flávio: ataques à imprensa, controle do MP e a questão das milícias

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Bolsonaro, hoje (21/12/2019) mais calmo e com a camisa do Flamengo, concedeu uma entrevista,na piscina do Palácio do Planalto, em que falou sobre a investigação sobre seu filho Flávio, o caso Marielle e Anderson e, ainda, sugeriu o controle sobre o MP (Ministério Público). Um dia antes, porém, Bolsonaro ofendeu, de forma extremamente grosseira e quebrando qualquer tipo de decoro, boa parte, senão todos, os jornalistas naos quais concedeu entrevista, demonstrando toda sua falta de educação e preparo. Percebam a tática que vou chamar de fio da navalha.

Bolsonaro, com suas palavras e atitudes, costuma trabalhar sempre no fio da navalha, isto é, ir até o limite do suportável e que, para muitos, até ultrapassa esse limite, como ocorreu com as agressões verbais aos jornalistas, para depois, caso algo tenha dado errado, recuar. Por isso, é impossível confiar em qualquer coisa que ele tenha afirmado, o que gera uma insegurança política, econômica e social, mas que, ao mesmo tempo, possibilita uma chance de defesa. Vejam que essa tática foi apresentada logo no início desse governo, quando o ministro Sérgio Moro declarou sobre Onyx Lorenzoni e seu envolvimento com o questão do caixa 2 e da corrupção que ele já havia se desculpado.

Ir até o limite e recuar não é a única tática usada por esse governo e por seu chefe. Há uma grande estratégia, quase que completamente pensada por estrategistas norte-americanos, formada por um conjunto de táticas. Em função disso, aposto que muita gente estranhou o local da última entrevista do chefe de governo: a piscina do Palácio do Planalto. Em geral, as entrevistas são dadas num cercadinho em frente ao mesmo palácio. Esse cercadinho separa Bolsonaro dos jornalistas, fazendo o papel de um muro quer protege algo precioso de ladrões. Isso, evidentemente, coloca Bolsonaro numa posição de destaque e poder, além de inferiorizar os jornalistas, como se as palavras do entrevistado fossem esmolas concedidas para os mendigos que estão por perto. Além disso, sempre há um grupo de apoiadores que exaltam Bolsonaro e atacam ferozmente qualquer jornalista que faça alguma pergunta mais complicada a ele, provocando um ambiente de intimidação para a imprensa. Talvez essa própria imprensa pudesse descobrir se esses apoiadores estão ali por vontade própria ou são enviados, pelo pessoal do Planalto, para fazer esse papel.

Quanto as afirmações sobre o caso de Flávio Bolsonaro, a investigação das mortes de Marielle e Anderson e o controle do MP, feitas na última entrevista, Jair Bolsonaro não trouxe novidade, apenas tentou demonstrar uma calma que não existe. Pelo que pude entender da investigação no caso Flávio, a linha a ser desenrolada é a seguinte: Flávio é acusado de praticar rachadinha (ficar com o salário, ou parte dele, de funcionários, fantasmas ou não) e lavar o dinheiro que conseguiu com essa prática. Essa suposta lavagem, entretanto, seria feita através de imóveis e de sua loja de chocolates, contando também com o auxílio de estabelecimentos pertencentes a milicianos, entre eles, o ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo MP do Rio de Janeiro como chefe da milícia de Rio das Pedras, também conhecida como “Escritório do Crime”. Adriano, por sua vez, é conhecido e parceiro de curso do Bope de Ronnie Lessa (ambos eram caveiras), que por sinal chegou a ter um estabelecimento comercial na área dessa mesma milícia. Portanto, Ronnie Lessa possivelmente trabalhava para o Escritório do Crime.

Depois disso, fica evidente a razão pela qual Bolsonaro sugere um controle externo para o MP, já que esse controle poderia barrar esse tipo de investigação, coisa que também poderia ser feita através da federalização do caso, que ele também deseja. Todavia, alguém deveria lembrar a Bolsonaro que ele foi eleito porque não existia esse controle sobre o MP, pois, se houvesse, a Lava Jato não teria poder para ser o principal motor do golpe contra Dilma Rousseff nem para prender o ex-presidente Lula.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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