Bolsonaro, a Globo e a milícia

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Como já havia demonstrado em outro texto (1), estão sendo investigada uma série de relações da família Bolsonaro com milicianos. Entre essas relações temos: fotos de Jair Bolsonaro e de seus filhos mais conhecidos com milicianos, inclusive uma foto de Jair com Élcio Queiroz que, junto com Ronnie Lessa, está preso acusado de participação no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes; repasses de cheques à conta corrente da loja de chocolates de Flávio Bolsonaro, por parte de um PM que extorquia comerciantes na Zona Sul do Rio de Janeiro; emprego no gabinete de Flávio, quando esse era deputado estadual, da mulher e da mãe, durante anos, daquele que é considerado chefe da milícia conhecida como “Escritório do Crime”; envolvimento de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de Jair, com esse mesmo indivíduo; discurso de Jair defendendo milicianos na tribuna da Câmara dos deputados, indicações de lavagem de dinheiro através de estabelecimentos comerciais de milicianos e por aí vai. Agora, Bolsonaro ataca o governador do Rio de Janeiro, o MP do estado e a Globo.

Os ataques ao governador Witzel que, por sinal, é uma figura de extrema-direita e um violador dos direitos humanos, assim como Bolsonaro, dizem respeito à corrupção e a questão de caixa 2. Bolsonaro afirmou que um dos delatores de uma operação da Polícia Federal na Paraíba falou que Witzel, através de uma relação da loteria da paraíba com a Loterj, pegou 115 mil reais de caixa 2 para sua campanha. Uma acusação séria e que deve ser investigada. Entretanto, não é acusando uma outra pessoa que alguém se livra das acusações feitas sobre ela.

O comandante do Poder Executivo também atacou de forma virulenta o juiz que autorizou a operação para investigar Flávio Bolsonaro. Disse Bolsonaro: “Vocês já perguntaram para o governador Wilson Witzel por que a filha do juiz (Flávio) Itabaiana está empregada com ele? Pelo que parece, não vou atestar aqui, é fantasma”. Assim, faz mais uma acusação gravíssima e que, como de praxe, deveria ser investigada. Caso seja verdadeira, os responsáveis deverão ser punidos, cas não seja, quem acusou é que deve.

Em relação ao MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou que prevarica em relação às autoridades do Rio e ainda acusou que Eduardo Gussem, procurador geral do Rio de Janeiro, havia vazado informações sigilosas sobre Flávio, além de afirmar que ele tem uma linha direta com a Globo, pela qual repassa uma série de coisas sobre ele e sua família.

Quanto à Globo, JM Bozo, como foi chamado Jair Bolsonaro numa HQ do Batman, insiste que está tentando derrubá-lo a qualquer custo. A última de Jair Bolsonaro é que a Globo está pronto para divulgar diálogos entre milicianos do Rio de Janeiro que citavam o seus nome e diziam que ele, antes de ser presidente, buscava dinheiro com eles e, agora, não aparece mais. A acusação é grave e feita pelo próprio acusado, sendo assim, merece ser apurada, o que complica ainda mais o chefe do Executivo. Sobre o assunto, a Globo divulgou uma nota negando que tenha tais diálogos e que, apesar disso, vai procurar saber se, de fato, esses diálogos existem. Também negou qualquer relação com o procurador Gussem.

Existindo ou não tais diálogos, a verdade é que a cada dia mais relações estão sendo apresentadas entre Bolsonaro, boa parte da sua família e a milícia, o que pode provocar, num futuro próximo, a queda de Bolsonaro, já que um país não pode conviver com tais suspeitas e continuar com sua normalidade. Ou Bolsonaro afasta de vez qualquer relação com as milícias ou o Brasil não conseguirá sobreviver muito tempo com a sombra de uma suspeita cada vez mais forte sobre quem o governa.

Alexandre L Silva

Notas:

(1) https://medium.com/@alexandresilva_94761/a-fam%C3%ADlia-bolsonaro-o-esquema-de-rachadinha-e-a-investiga%C3%A7%C3%A3o-sobre-marielle-franco-b2843d49abbc

(2) https://rollingstone.uol.com.br/noticia/nova-hq-do-batman-faz-alusao-bolsonaro-com-tuite-de-personagem-chamado-jm-bozo/

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.