Bolsonaro, a COVID-19, o impeachment e o Welfare State

Os brasileiros que votaram em Bolsonaro não poderiam ter escolhido um pior momento para fazê-lo. A economia brasileira em frangalhos, fruto de um complô político e econômico para derrubada Dilma Rousseff em 2016, um panorama político de falsa polarização, uma vez que a centro-esquerda não pode ser considerada um polo, um extremo, em comparação com a extrema-direita que governa o país, um cenário informativo repleto de notícias falsas, um discurso de ódio que cega todo aquele que o defende e, exatamente agora, a proliferação do SARS-CoV-2, nome do novo coronavírus, uma vez que coronavírus é o nome de uma enorme família de vírus. Em virtude de tudo isso, somado à incompetência e à falta de preocupação com a população que encontramos em todo governo Bolsonaro, não é estranho que ontem, 17 de março de 2020, as pessoa não aguentaram esperar e fizeram um gigantesco panelaço em várias cidades do Brasil, panelaço que está marcado para hoje, dia 18 (20:30 h). Ninguém aguenta mais a arrogância, a ignorância, a incompetência e as acusações de corrupção que envolvem Bolsonaro, sua família e seus aliados. Agora, é o momento do BASTA!

Não é possível, diante de um momento tão preocupante quanto o que vivemos, continuarmos a ser governados por alguém que não tem a mínima noção do que é administrar um país. Há várias notícias falsas e verdadeiras circulando pela mídia sobre o vírus e seus efeitos, todas elas preocupantes, mas o governo federal está mais preocupado com questões ideológicas e de manutenção do poder do que esclarecer a população e conter o vírus. Mas como combater a doença, se as verbas para saúde foram cortadas, programas como o ‘Mais Médicos’ destroçados e investimentos em pesquisa reduzidos ao máximo?

Tão pouco precisamos de um general, como Morão, para governar o país. Quem isso pede, assim como quem defende Bolsonaro e a ditadura militar, é alguém que não deveria participar da vida política, uma vez que deseja ser tutelado, perder sua liberdade e poder de escolha. Assim sendo, todos que participam desse governo estão comprometidos com o combate à democracia e com o interesse das elites econômicas brasileira e internacional, assim como o faz Sérgio Mouro (enquanto escrevo esse texto, no Rio de Janeiro, Bolsonaro concede uma entrevista com alguns ministros, enquanto começo a escutar panelas sendo batidas no bairro em que estou).

A volta do Estado de bem-estar social (Welfare State) é o único caminho para o momento e as medidas adotadas por outros países durante essa crise só comprovam isso. Um governo que não fosse de extrema-direita como o de Bolsonaro já teria percebido isso. Entretanto, está mais preocupado em aprovar a MP905-2019 (Contrato Verde e Amarelo) , como fizeram hoje numa comissão do Senado e, com isso, retirar direitos dos trabalhadores, do que combater seriamente uma ameaça que assombra todo o mundo.

O impeachment de Bolsonaro é necessário, mas também a mudança de orientação política, social e econômica do Brasil.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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