Bolívia, Haiti, Equador e Chile por seus jornais e sem consulta à imprensa brasileira

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O que vemos, pelos jornais bolivianos e por um jornal chileno, é que a Bolívia está à beira de uma guerra civil. Há um imenso conflito entre aqueles que defendem Evo Morales e seus opositores. O comandante do Departamento de Polícia de La Paz seguiu para a Plaza Murillo com seus camaradas para ler uma carta dirigida ao comandante geral das Forças Armadas, Williams Kaliman. Nela, a polícia relata que foi superada e exige a intervenção das forças armadas nas ruas para conter a situação. Barrenechea disse que não será cúmplice na morte de políciais (https://www.paginasiete.bo/nacional/2019/11/11/policia-se-declara-rebasada-pide-intervencion-de-las-ffaa-237096.html). Reparem que a preocupação maior é com os policiais, não com o povo. Isso ocorre porque “uma multidão enfurecida de pessoas que se opõem à renúncia de Evo Morales à Presidência da Bolívia, tenta ir de El Alto a La Paz, depois de superar um grupo de policiais que pede reforços para conter a marcha na Ciudad Satélite” (https://www.lostiempos.com/actualidad/pais/20191111/turba-que-se-opone-renuncia-evo-intenta-llegar-alto-paz-rebasa-policias). Essa multidão está armada apenas de paus, pedras e outros objetos e gritando “”Agora, guerra civil””.

Evo Morales se manifestou para que a saída para a situação ocorra de maneira pacífica e aceitou o asilo oferecido pelo México. “O Ministro das Relações Exteriores do México informou que concedeu a Morales a saída por “razões humanitárias” e argumentou que a “situação urgente” vivida na Bolívia põe em perigo a vida do ex-presidente” (https://www.paginasiete.bo/nacional/2019/11/11/oficial-evo-acepta-asilo-politico-en-mexico-237085.html).

A futura presidente interina da Bolívia, a segunda vice-presidente do Senado, senadora Jeanine Añez, “instou seu povo à unidade e à preservação da democracia para sair da crise institucional” (http://lanacion.cl/2019/11/11/futura-presidenta-interina-de-bolivia-vamos-a-llamar-a-elecciones-para-el-22-de-enero-proximo/). Añes, política do Movimiento Demócrata Social, ou, simplesmente, Demócratas, como é conhecido seu partido de direita, “anunciou segunda-feira que as eleições serão convocadas no início de 2020, para que “em 22 de janeiro já tenhamos um presidente eleito” (http://lanacion.cl/2019/11/11/futura-presidenta-interina-de-bolivia-vamos-a-llamar-a-elecciones-para-el-22-de-enero-proximo/).

No Equador, a crise foi encerrada, pelo menos oficialmente, com o acordo de 13 de outubro “entre o movimento indígena, que liderou as manifestações, e o governo que concordou em retirar o decreto que aboliu os subsídios” (https://www.ultimasnoticias.ec/las-ultimas/onu-mision-ecuador-investigacion-protestas.html). Entretanto, como é informado na mesma página, O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos enviou uma equipe de três pessoas com o objetivo de investigar a violência cometida durante as recentes manifestações. Os conflitos causaram oito mortes e 1.340 feridos em 11 dias, mas os manifestantes saíram vitoriosos e o governo equatoriano recuou no aumento absurdo dos combustíveis.

As manifestações e protestos no Chile começaram em Santiago, em 14 de outubro de 2019 e ainda não terminaram. Começaram em virtude de um aumento da tarifa de metrô em Santiago, do aumento do custo de vida, das privatizações, do aumento da desigualdade, enfim, dos males de uma política ultraliberal, tal qual a que ocorre atualmente no Brasil. Pelo menos 20 pessoas já morreram no Chile relacionadas com os protestos e a reação das forças oficiais. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos solicitou autorização para fazer uma visita ao Chile para observar a condição do respeito aos direitos humanos da população, a pedido de mais de cem organizações (http://lanacion.cl/2019/11/06/cidh-pide-visitar-chile-para-observar-situacion-de-ddhh-en-medio-de-protestas/). O governo chileno aceitou a visita em 11 de novemnbro de 2019.

A ministra e porta-voz do governo, Karla Rubilar, afirmou que “essa nova Constituição deve ser criada, formada no que também criamos entre todos, um Congresso diferente, um congresso que não possui um sistema binominal, que permita a representação de vários partidos, um congresso que não tenha dificuldades em termos de financiamento, um congresso também precisa ser participante da escuta ativa, e é por isso que não estamos apenas pensando em um congresso, mas em uma participação cidadã tremendamente ativa.” (http://lanacion.cl/2019/11/11/ministra-rubilar-nuestro-camino-no-es-la-asamblea-constituyente/)

Encurralado, o governo chileno procura atender a quase todas as reinvindicações, provando que o ultraliberalismo reira o que pode e não pode da população. Entretanto, as manifestações não param. O jornal La Tercera, de Santiago, informa que “carabineros dispersam manifestantes em um novo dia de protestos na Plaza Italia” e que “em Viña del Mar, uma manifestação pacífica encerrou o ataque à sede de um banco”, isso em 11 de novembro de 2019 (https://www.latercera.com/nacional/noticia/carabineros-dispersa-manifestantes-una-nueva-jornada-protestas-plaza-italia/896745/).

No Haiti, milhares de manifestantes, desde setembro, protestam contra o presidente Jovenel Moïse, do partido Haitian Tèt Kale, considerado de centro-direita. O presidente é acusado de corrupção, num escândalo que envolve, também, o ex-presidente Michel Martelly. Nos protestos, mais de 40 pessoas já morreram, um jornalista (Néhémie Joseph) foi assassinado, supostamente por cobrir os protestos, e os jornais haitianos já discutem como será a renúncia do presidente. O jornal Le Haïtien afirma que, em toda parte, são ouvidos os gritos que o presidente tem que renunciar. Também pergunta se o presidente, pela Constituição, pode renunciar e responde: “sim, qualquer pessoa eleita pode renunciar. Quanto ao presidente da República, ele será substituído imediatamente pelo juiz mais alto do Tribunal de Cassação, ou pelo vice-presidente desse tribunal ou pelo juiz mais antigo” (https://www.haitienmarche.com/).

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.