Balanço de um 7 de setembro apimentado

<a href=’https://br.freepik.com/vetores/flyer'>Flyer vetor criado por ibrandify — br.freepik.com</a>

Que eu saiba, fui o primeiro autor a cravar que não iria ter um golpe, dentro do golpe, nesse 7 de setembro. Examinei todos os dados, falei com todas as minhas fontes e o resultado tornou-se óbvio. Dentro dessa matrioska de golpes e pequenos golpes (impeachment de Dilma, prisão de Lula, eleição de Bolsonaro) que assolam o país, garanti que não haveria o clássico golpe militar no Dia da Independência. Entretanto, isso não significa que o perigo foi afastado por completo, portanto, precisamos ficar atentos a cada movimento golpista daquele que chamam de presidente.

Além da inexistência do golpe, outra boa notícia é que o governo não atingiu seus objetivos. O número de manifestantes em Brasília não passou de 7,5% do esperado por Bolsonaro, na Avenida Paulista (SP) a PM estimou em 125 mil, o número de participantes e, em Copacabana, falou-se de centenas de manifestantes misturados às pessoas que se encaminhavam para a praia. Certamente, houve muito barulho em função do fanatismo dos seguidores da extrema direita, algo que é próprio dessa gente.

Apesar da ajuda da PM dos entes federativos, em muitas ocasiões, não houve a invasão do STF, do Congresso ou da Embaixada da China. Pelo contrário. Apesar da derrubada das barreiras (algo que todos sabemos que é ilegal) sem resistência policial, no caso de Brasília, houve ação policial antes que a súcia chegasse à Praça dos Três Poderes, enfrentamento da PM por parte dos bolsonaristas e uso de spray de pimenta e gás lacrimogêneo pelos policiais. Logicamente, o gado culpou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pela ação policial. Entretanto, alguém já viu Ibaneis agir fora das “quatro linhas” traçadas por Bolsonaro? A conclusão sobre isso, deixo a vocês, meus caros e sagazes leitores.

Globo e Globonews, Reinaldo Azevedo, Folha de São Paulo, Estadão, para falar das mídias tradicionais e conservadoras, são unânimes em afirmar que Bolsonaro sai mais enfraquecido do 7 de setembro. As ameaças continuam por parte do comandante do Executivo e a oposição, como um todo, precisa se precaver. Por isso, esperemos pelo dia 8 para saber as consequências e, desde já, devemos reservar o 15 de novembro como data das manifestações “Fora Bolsonaro”.

Alexandre Lessa da Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.