A violência contra a mulher no Brasil no âmbito de um governo de extrema-direita

O governo atual do Brasil é conhecido por suas ações e discursos contra as chamadas “minorias”. O termo “minorias”, aqui, significa grupos de pessoas que se diferenciam do grupo dominante em uma determinada sociedade, ou seja, aqueles grupos que estão distante do poder ou fragilizados. Assim, apesar das mulheres formarem a maior parte da população, ainda assim, pertencem as minorias. E o presente texto diz respeito justamente às consequências dessa política machista e contra as minorias desse governo, em especial no tocante ao feminicídio.

Assim que começa seu governo, Bolsonaro indica para ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos a pastora Damares Regina Alves, uma mulher com uma visão ultraconservadora e que chegou a afirmar que a mulher deve ser submissa ao homem, entre outras tantas barbaridades machistas. Tudo conforme o esquema de seu capitão, visto que esse chegou a dizer que a própria filha era fruto de uma “fraquejada”. Como todos podem percerber, o governo Bolsonaro diminui a mulher e a coloca numa posição de inferioridade perante o homem. Essa visão machista somada a um discurso de ódio e violência ( quem não se lembra que Bolsonaro afirmou que iria metralhar os “petralhas”?) proporcionam um solo fértil para a violência contra a mulher. Não é a toa, portanto, que durante a campanha um grupo chamado Mulheres Unidas Contra Bolsonaro (https://www.facebook.com/mulherescontraofascismo/) ficou famoso em todo território nacional.

Esse tipo de política que afirma a superioridade do homem, da pele branca e do cristão, já tão defendia por Donald Trump nos EUA, encontra eco nas posturas do governo brasileiro. Negros, LGBTs, pobres e mulheres são seus alvos preferenciais. No caso das mulheres, vemos crescer a insegurança entre elas. Aumentou, por exemplo, o número de estupros no país que já registra o absurdo número de mais de 180 estupros por dia (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/brasil-registra-mais-de-180-estupros-por-dia-numero-e-o-maior-desde-2009.shtml). Outro exemplo, é o aumento de julgamentos de casos de violência contra a mulher (http://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2019-03/aumenta-julgamento-de-casos-de-violencia-contra-mulher-diz-cnj-0). Também aumentou a percepção dessa violência pela população (90% de aumento) segundo o Datafolha (https://exame.abril.com.br/negocios/dino/violencia-contra-a-mulher-tem-numeros-alarmantes-no-pais/).

No tocante ao feminicídio, o número de casos teve um aumento assustador, com os dados obtidos até agora, em relação ao ano anterior. A Secretaria de Segurança Pública informa que tivemos um aumento de 76% no primeiro trimestre de 2019, comparando com o primeiro trimestre de 2018 (https://www.esquerdadiario.com.br/Resultado-da-politica-machista-de-Bolsonaro-e-aumento-de-feminicidios-no-Brasil-em-2019). Isso sem falar nos dados da OMS que apontavam o Brasil, já em 2016, como o país com a quinta maior taxa de feminicídio no planeta (https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-nacionais-buscam-solucao/amp/).

A realidade das mulheres no Brasil de Bolsonaro é aterrorizante. Infelizmente, dificilmente será modificada no âmbito desse governo. Precisamos lutar para que isso seja modificado, enfraquecendo as políticas misóginas dessa administração e buscando um empoderamento feminino que só será possível com a volta de uma verdadeira democracia no Brasil. Não há como ser consciente, ser mulher e apoiar Bolsonaro.

Alexandre Lessa da Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.