A entrevista de Gilmar Mendes a Pedro Bial: Globo, Lava Jato e Vaza Jato

Faltou coragem ou astúcia a Gilmar Mendes ao criticar os vazamentos por parte da Lava Jato e do Ministério Público à Rede Globo. Pedro Bial, ao rebater as críticas feitas pelo Ministro do STF ao posicionamento da Globo, disse que é papel do jornalismo publicar aquilo que é vazado, visto se tratar de um “furo”. Gilmar argumentou o absurdo desses vazamentos, chegando a citar que havia 11 jornalistas responsáveis por vazar informações sigilosas para a imprensa dentro do gabinete de Rodrigo Janot, quando este era procurador geral da república. Entretanto, vale lembrar que a Globo tem dois pesos e duas medidas.

Quando Gilmar Mendes falou da Vaza Jato, Bial respondeu falando em vazamentos hackeados. Também questionou o ministro quanto a legalidade desses vazamentos, inclusive argumentando que se Gilmar falou anteriormente que provas ilícitas não poderiam ser usadas pela Lava Jato, então por que poderiam ser usadas pelo STF para invalidar julgamentos da própria Lava Jato. Percebam que é uma pergunta sem sentido no âmbito do direito brasileiro. Provas obtidas de maneira ilegal, é patente no nosso direito, podem ser usadas para inocentar alguém, mas não para condenar, conforme o próprio Gilmar Mendes explicou.

Voltando à questão dos dois pesos e duas medidas, quando a Globo recebe um vazamento de alguém, o que é mais grave, responsável por manter o sigilo da informação, visto que é um agente da lei, é jornalismo de qualidade. Agora, quando o vazamento é obtido por um site como The Intecept Brasil é um crime, além de não merecer o devido valor por parte da emissora carioca. Não há como fundamentar essa lógica. Ela só demonstra o alto grau de antijornalismo da emissora da família Marinho.

Gilmar Mendes, em um trecho da conversa, abordou o problema da prisão em segunda instância, a qual acredita que deve ser reforçada no caso da prisão provisória apenas, já que a execução da pena só deveria acontecer com o trânsito em julgado, segundo ele. Também comentou sobre seu colega de STF, Luís Roberto Barroso, dando a entender que ele deveria responder pelo que foi vazado pelo Intercept, e sobre o caso Lula, afirmando que o ex-presidente merece “um julgamento justo”, de onde se conclui que o julgamento de Lula foi injusto.

No tocante a outros temas abordados, Gilmar Mendes não respondeu diretamente e, quase sempre, deu uma no cravo e outra na ferradura, escamoteando seu posicionamento em relação a eles, algo facilitado pelo pequeno esforço jornalístico do entrevistador.

Alexandre L Silva

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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