A Diminuição de Apoio do Governo de Extrema-Direita no Brasil

Vamos aos fatos. Bolsonaro tem perdido popularidade ao longo de seu (des)governo. Entretanto, essa desidratação de seu apoio não é muito grande e ainda tem uma base sólida, criada através do ódio ao PT e do pensamento conservador. Todavia, há uma franja bastante grande naqueles que o apoiam e que pode ser desfeita à medida que seu governo não gere resultados positivos e através de um discurso bem trabalhado da esquerda. O escândalo de Moro vem reduzindo, aos pouco, essa franja e, caso caia, será um abalo forte em seu apoio. Quanto a base sólida é grande, mas menor do que a da esquerda, o que deve ser demonstrado nas próximas eleições municipais. Essa base bolsonarista mais sólida é formada pela extrema-direita, odiadores do PT da classe média, protestantes pentecostais e neopentecostais , militares e afins, pessoas que deveriam ser diagnosticadas com algum transtorno mental e não são tratadas, elite econômica brasileira e milicianos e aqueles a quem influenciam.

O apoio externo, dos EUA, e interno, por parte dos militares também são importantes, mas não no sentido democrático. Esses dois garantem a estabilidade do governo e, ao mesmo tempo, distanciam ele de uma posição democrática. Sendo assim, há possibilidade de o governo reduzir bastante a empatia com a população, mas, mesmo assim, manter-se forte o suficiente para continuar massacrando a população. dando continuação ao Estado de exceção em que vivemos e, até, endurecer o regime. Aqui, não há exagero, pois não podemos pensar a palavra democracia de uma maneira simplista, pois esta não o é. Se bastasse a maioria numa eleição, qualquer país que tem um partido único e eleições poderia ser chamado de democracia. Democracia implica liberdade, uma disputa aparentemente justa (justa não é possível dentro de uma economia capitalista) e sem contestações razoáveis, a aceitação de regras escritas e não escritas pertencentes ao sistema, instituições fortes o suficientes para garantir a própria democracia, como é o caso do Poder Judiciário e demais poderes, respeito às minorias e, mais uma vez, uma justiça neutra, livre, independente e séria, entre outras características. Portanto, não há de se falar em democracia enquanto existir algum preso político no país.

Ex-professor de diversas universidades públicas e particulares. Lecionou na Universidade Federal Fluminense e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.